Yandex Metrika
Curiosidades

Entenda a diferença entre videira silvestre e videira cultivada

Para os amantes do vinho, conhecer alguns detalhes sobre a uva (como ela é cultivada, quais as características de cada variedade, onde e quando elas podem ser plantadas, as origens de cada uma delas, o que é uma videira) são essenciais para circular com certa segurança pelo mundo enófilo e o porquê desse universo atrair o interesse de tantas pessoas. Por isso, preparamos um mini esclarecimento a seguir para dar aquele suporte no entendimento inicial desse universo tão fascinante. Vamos lá?

Diferença entre uva e videira

A uva é o fruto produzido por videiras, o qual consumimos a baga como frutas frescas ou desidratadas, ou na forma de suco fresco, doces, vinhos e seus derivados. Por sua vez, as videiras são plantas trepadeiras caracterizadas pelo tronco retorcido, ramos flexíveis, folhas em forma de palma (palminérveas) e flores esverdeadas pouco vistosas.

Em biologuês, as videiras são plantas da família Vitaceae, pertencentes ao gênero Vitis, sendo a V. vinifera a espécie representante do grupo, sendo descrita pelo famoso naturalista do século XVIII Carolus Linnaeus. As Vitaceae possuem aproximadamente mil espécies agrupadas e 17 gêneros. Porém, não é toda videira que produz fruto do qual se produz o vinho e no caso das espécies produtoras de vinho, estas são chamadas de “viníferas”.

Trata-se de uma planta que tem origem nas regiões meridionais, sendo muito exigente – precisa de umidade, pouco calor para se desenvolver e aprecia solos mais planálticos. Análises realizadas a partir dos caroços de uvas mostraram que as primeiras videiras eram silvestres, ou seja, nasciam e cresciam sem a necessidade de intervenção humana. Todavia, com a observação dos primeiros povos sedentários, que aguardavam ansiosamente pelo fruto fornecido pela videira, percebeu-se que seria possível cultivá-la e, o melhor, a partir do plantio, seria possível aproveitar não somente o fruto, mas o que dele seria extraído: o suco de uva e o vinho.

videira uvas

De onde vem a uva?

Parece óbvio, mas o primeiro ponto para entender a diferença entre a videira silvestre e a cultivada é saber de onde vem a uva. Ela é o fruto da videira, designação dada às espécies do gênero Vitis – pertencentes a uma família de Parece óbvio e já vimos isso acima, mas o primeiro ponto para entender a diferença entre a videira silvestre e a cultivada é saber de onde vem a uva.

O gênero Vitis possui mais de 30 espécies nativas da China, outras 34 espécies nas Américas, e apenas uma espécie de origem euro-asiática, a famosa V. vinifera. Contudo, do resultado de nossa longa relação com essas espécies, hoje são encontradas cerca de 15.000 variações de V. vinifera que podem ser divididas em grupos puros, ou plantas puras; híbridos regionais e os interespecíficos. Embora o gênero seja diverso, toda fama e produção de vinho é creditada à V. vinifera.

Qual é a origem da videira?

Os registros mais antigos das videiras atuais foram encontrados na Groenlândia, datando de cerca de 300 mil anos. Mas o cultivo data de cerca de 6.000 a 8.000 anos no Oriente Médio. Possivelmente, foi através dela que descobrimos a levedura presente nas cascas e suas importância na produção de bebidas alcoólicas, por exemplo, para o vinho e a cerveja.

A forma domesticada

Assim como o trigo, o milho, o morango, entre outros vegetais, a uva passou por um processo chamado de “domesticação” (o mesmo realizado com animais como o cão e o gado), com o objetivo de exploração. Nesse sentido, civilizações do início do Neolítico (12 mil a.C) notaram que as formas selvagens de uva produziam frutos doces, mas muito pequenos. A partir de então, as inúmeras tentativas de domesticação, associadas aos efeitos da seleção artificial, resultaram na forma que conhecemos atualmente, maior, mais suculenta e doce em comparação à espécie selvagem.

A forma ancestral – ou o tipo selvagem –  das espécies domesticadas é a subespécie Vitis vinifera sylvestris e é uma espécie que apresenta sexo separados, “plantas macho” e “plantas fêmea”, diferente das viriedades domesticadas que são hermafroditas (carregam flores masculinas e femininas), as quais oferecem mais chances de domesticação. Por exemplo, em relação à polinização, as técnicas de fertilização eram primitivas e uma espécie hermafrodita facilitava, e muito, o cruzamento artificial e a seleção de características desejáveis para produção do vinho.

Vinho sendo cultivado em arte egípcia.
Relatos de cultivo de uvas no antigo Egito

Os mesopotâmicos, os egípcios, os gregos, os romanos…

Há registros de que os povos mesopotâmicos conheciam a uva e a plantavam para o consumo e a produção da bebida. E o mesmo se vê nos relatos babilônicos e egípcios. No entanto, é entre os romanos que ficou creditada a expansão da cultura por todo território europeu (ainda que a bebida ganhe sempre aquela associação como “o líquido dos gregos”).

Ao longo da expansão territorial, os romanos fundaram vilas e junto com elas introduziram o cultivo de espécies domesticadas, dentre elas as de Vitis, já que o vinho compunha parte do rancho dos legionários. Ou seja, a dispersão da uva foi auxiliada pelo domínio territorial dos romanos. Assim, pode-se dizer que graças a eles, os italianos e os franceses hoje gozam do prestígio de terem bons vinhos. Com a expansão da fruta e a cultura associada a ela, foi um passo para a exploração tornar-se economicamente importante.

Silvestre versus cultivada

A partir da domesticação da forma selvagem (ou silvestre) foi possível obter uma espécie altamente produtível, a partir da qual foram desenvolvidos clones e híbridos que passaram a ser cultivados pelos povos antigos e depois difundidos pelo mundo. Diferente da espécie domesticada, a forma selvagem não produzia uvas de alta qualidade e nem apresentava frutificação anual. Foi somente a partir da observação humana sobre outras videiras em circulação pela região meridional que elas se espalharam por toda a Europa. Assim, surgiram as variedades de V. vinífera mais finas como Cabernet Sauvignon, Merlot, Tannat, Pinot Noir; e as brancas Chardonnay, Riesling, Moscato Giallo, Sauvignon Blanc e muitas outras.

E agora? Consegue compreender o porquê de o vinho ser tão cultuado no mundo inteiro? Além de ter uma relação direta com o desenvolvimento de grandes civilizações da Antiguidade, há também o fato de as videiras e as uvas estarem associadas ao próprio progresso humano. Desse modo, sempre que vir uma garrafa cujos valores são vultosos, lembre-se de que foram milênios para se chegar à bebida maravilhosa que se tem hoje. 

Avatar de Cris Oliveira
Cris Oliveira, Empreendedora Digital, Entusiasta da Enologia, Especialista em Língua Portuguesa, Blogueira.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *